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O que muda quando você mora fora

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos”

Essa passagem eu gosto muito e para mim fez muito sentido em uma etapa da minha vida em que eu precisei tomar uma decisão de mudar.

Para quem não sabe, ela é muitas vezes atribuída ao famoso escritor português, Fernando Pessoa. Mas na verdade é de outro Fernando, um supostamente menos famoso. Fernando Teixeira de Andrade. Pessoas diferentes.

Fernando Teixeira de Andrade era advogado por formação, mas nunca exerceu a profissão. Autodidata, conhecia tudo sobre Literatura. E assim se tornou professor. Era um dos melhores, segundo seus alunos. Conseguia conquistar até os mais desapegados ao aprendizado durante 30 anos. E seguiu nessa profissão até a sua morte, dia 5 de julho de 2008, aos 61 anos.

Um dia antes de morrer, trabalhou por 18 horas, já debilitado em sentindo fortes dores, devido a um câncer que enfrentava há 4 anos.

Pois bem. Ele não sonhava com os finais de semana, nem com a aposentadoria. Ali ele devia ficar, ao seu ver.

Hoje costumo brincar dizendo que todos os meus bens materiais cabem dentro de uma mala de 32 quilos compradas de 2a mão. Isso porque eu tomei a decisão, uma das mais difíceis da minha vida, porém a mais lógica. Hoje eu não me vejo em outra posição.

Em 2017, eu e meu marido com pouco ou conhecimento do Inglês, estávamos desembarcando no Aeroporto Internacional de Dublin, na Irlanda. Lá estávamos sem previsão de retorno e cheios de anseios sobre como seria viver na também conhecida como Ilha Esmeralda.

Ao ver nossos checkins como é costume na nossa geração, muita gente disse: Nossa! Eles foram com a cara e com a coragem? A resposta é sim, mas também não.

Não porque, quando você enxerga uma grande mudança na vida de alguém, você nunca será capaz de compreender todos os passos anteriores que ela percorreu até chegar à grande mudança.

Por outro lado, a resposta é sim: Fomos com a cara (sonolenta depois do vôo que durou cerca de 12 horas) e com muita coragem. Não dá pra negar.

O que eu quero é compartilhar com vocês, portanto, o que muda em sua via quando você vai morar fora. Não é só uma mudança física, mas de mindset mesmo.

Por favor, peço que apertem os cintos e coloquem o celular no modo avião. Em caso de turbulência, máscaras não cairão sobre suas cabeças. Então fiquem frios.

Aprenda a traçar o mapa

A mudança de país requer muito planejamento. Sendo franca, com pouco planejamento você também consegue, mas os efeitos colaterais são bem mais imprevisíveis e você pode ter de fazer mais correções no percurso.

Na sua vida também é assim: a profissão que você deseja seguir, o casamento que pretende ter, a empresa que deseja abrir, a viagem que deseja fazer, o concurso que deseja passar…

Tenha claro a meta, e também os passos que deve seguir para atingi-la. Faça quantas conexões forem preciso para essa mudança.

E acredite. Não subestime o seu sonho e não deixe que ninguém faça isso. Não existe sonho bom ou sonho ruim.

Organize as malas

Sabendo para onde vai, organização importa. Organize suas malas. Desapegue daquela cacharel que você ganhou da tia distante que te incomoda e por isso você nunca usou. Mas… e aquela blusa que você tanto ama? Que já tem até o formato do seu corpo… Na verdade ela não vai te fazer falta. Equipe-se do que é essencial. Do que você realmente vai precisar. Com a mudança, certamente você vai ter muito mais coisas para ocupar os espaços vazios. Vai por mim.

Seja qual for seu objetivo, organize tudo o que você precisará, previna-se, mas sem exagero.

Corrija a rota

Ok, o tempo não ajudou, o vôo atrasou. O concurso? Não foi dessa vez. O produto? Pena… Não é o da vez.

Sempre dá para contornar. Não tenha medo do fracasso. Não se prive de refazer ou corrigir o plano. Os imprevistos podem acontecer e você deve estar aberto para alinhar a rota, talvez para outra direção. Talvez o outro seja até o melhor destino. Aquele que você jamais havia pensado. Não tem problema trocar a praia pelo campo, Austrália por Porto Seguro.

Vá de classe econômica

Na viagem da vida, ser humilde é o que basta. Esteja disposto a fazer o que jamais fez, a falar com quem jamais falou, a perdoar, a esperar, a se calar, a reconhecer o quão pequeno é. A humildade, ao contrário do que parece, não é se colocar em uma posição inferior ao outro. É entender que não somos maiores que ninguém.

Busque outros mapas

Não tenha medo de fazer outras mudanças, repentinas talvez. Pois, muitas vezes, não somos nós quem determinamos as mudanças ou temos o controle delas. Por isso é preciso estar disposto a mudar novamente. Voltar alguns passos, mas sempre almejando vôos ainda maiores para compensar os atrasos.

Onde está seu coração aí está seu tesouro

Mas quando encontrar o destino ideal, seja em Cruzeiro, ou em Budapeste, seja no emprego formal, ou abrindo seu próprio negócio, seja casando ou comprando uma bicicleta, acalme o coração. Permita-se sentir a sensação do realizado.

Se tiver fôlego para mais aventuras, abandone os caminhos que te levam sempre aos mesmos lugares. O Google Maps está aí ao seu dispor.

Se achar que essa é a sua felicidade, não há problema se fizer como o professor de literatura, Fernando Teixeira. Faça isso com todo amor, sem precisar vislumbrar a aposentadoria para parar de trabalhar e ser feliz, por que você saberá que já esteve fazendo isso por toda a sua vida.

Onde está o seu coração. Aí está seu tesouro.

2018-07-06T01:01:45+00:00

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